segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

FALANDO DA HISTÓRIA DA INFORMÁTICA




 

     Para falar de história da informática, primeiramente é necessário conceituar do que estaremos falando e, principalmente, o que é informação.

      O termo informática, a despeito de que quase tudo com que dela convivemos possuir grande vinculo com os Estados Unidos, foi criado na França e com o seguinte escopo: 


Assim, neste princípio, a História da Informática não se prende apenas a do computador (da qual é ele apenas a ferramenta), mas também a todos os momentos e recursos pelos quais sentiu o homem a necessidade de informar a alguém alguma coisa, e a fazer esta informação tornar-se disponível a toda uma série de atividades. Nesta visão, observa-se que praticamente todas as outras ciências, principalmente a própria História, estão nela contida.   Todas as ciências se propagam pela informação e o termo “INFORMÁTICA” traduz-se das raízes linguísticas do grego “TICA” = ciência e do latim “INFORMATUS” = informação, como sendo a “CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO”, ou mais extensivamente, como a “CIÊNCIA DOS PROCESSOS DE INFORMAR”.

Como pode se ver acima, há um grande erro no uso corrente do termo informática. Não é porque uma pessoa conheça alguma coisa quanto ao uso do computador que ela saiba ou seja versada em informática. É muito comum se ver cursos e pessoas que ensinam e aprendem a usar alguma coisa de computador, como Word, Excel ou Internet, por exemplo, dizerem ensinar e saberem informática.  Na realidade o que se ensina e se sabe, na maioria dos casos, é o processamento eletrônico de dados, que é uma das ferramentas da informática. No caso dos profissionais classificados como analistas de sistemas, esses são denominamos informatas não porque saibam usar e aplicar um computador. Fato é que na fase em foram programadores de computador, a profissão era o processamento de dados. Mais tarde, ao se tornarem analista sistemas, a especialidade passou a ser a criação de sistemas que tratam grandes massas de informações, tendo por ferramenta o processamento eletrônico de dados e outras mais que se façam necessárias.  A partir de então, se tornam informatas.

      Para seguirmos nos caminhos da História da Informática precisamos também entender como se forma  uma informação.   Na realidade uma informação é um agrupamento de dados que reunidos em uma forma estruturada, traduzem um fato ou alguma coisa.   Para melhor entender vejamos o exemplo a baixo.


     Seja a informação:  

Escrevo do Rio de Janeiro as 16 horas e 26 minutos de 5 de fevereiro de 2013”   

     Vejamos esta informação em blocos: 


 Nesta informação os blocos 2, 4 e 6 são apenas de construção linguística para darem, dentro do idioma português, o sentido da fase.

Já os blocos 1, 3, 5 e 7 são blocos de dados que, se mudando de conteúdo, transformam a mesma estrutura em uma outra informação diferente. Esta informação seria diferente em dados, mas de mesmo objetivo: informar uma ação em uma cidade, em uma hora e uma data.   No caso os blocos são dados de: 

            Bloco 1: (Escrevo) = Dado de ação 
            Bloco 3: (Rio de Janeiro) = Dado de local 
            Bloco 5: (16 horas e 26 minutos) = Dado de hora 
            Bloco 6: (31 de março de 2004) = Dado de data


     Armazenando estes dados em uma estrutura qualquer (uma tabela, por exemplo) teremos


     Mudando-se estes dados para:


Como a mesma estrutura de informação, flexionando-se as formas construção linguística para darem, dentro do idioma português, o sentido da fase, teremos:


Falei de Recife às 23 horas e 15 minutos de 18 de janeiro de 2012

FORMAS DE INFORMAÇÃO:

Como demonstrado em nota acima, além da escrita estamos usando um outro sistema de informação, para isso usando imagens que, colocadas junto ao texto, por serem formas de fixação destes, traduzem, de maneira genérica, toda uma ideia em transmissão.  

Na realidade, exceto quando portador de deficiência auditiva ou visual, o homem só possui duas formas de recepção de informação: a audição e a visão (1). As demais, como o tato e o paladar (2), são complementares e funcionam, biologicamente, muito mais como sensores de alerta do que como um meio de recepção de informação. Nos deficientes, os sentidos sensores, em forma alternativa e por capacidades especialmente desenvolvidas, tornam-se receptores de entrada como ver pelo tato e ouvir pelas vibrações. 



Por causa destas duas únicas formas de recepção humana, todos os sistemas de informação, mesmo que transmitido-as por meios diversos, convertem as informações para estas, de forma que o homem possa delas se aperceber.   Exemplo: Na Internet (um sistema), as informações são transmitidas por transferência de conjuntos informacionais entre computadores, mas, para serem perceptíveis ao homem, são convertidas em imagens (tela do monitor) e sons (caixas de sons) pelo computador, que é a Interface (3) do sistema.


Na recepção auditiva, o homem recebe informações em forma de sons que são formados por sinais convencionados (4) de linguagem falada ou outros como a música.  Na recepção visual, o homem recebe informações em forma de imagens (fotos, desenhos, filmes e outros) e sinais visuais convencionados de linguagem escrita, sinais estes que podem representar sons (quando caracteres alfabético ou cifras musicais), valores (caracteres matemáticos) ou idéias  (os chamados caracteres ideológicos ou ícones).    



Até aqui tratamos de alguns conceitos que nos ajudaram ao entendimento do que iremos falar neste nosso passeio pela História da Informática. Possivelmente outros conceitos deveram ser explanados ao longo da narrativa. Quando isto se tornar necessários abriremos um quadro em especial para tal.   

Agora vamos a história.



A PRÉ HISTÓRIA



Antes da História conhecida pelo homem, há um período em que a sua formação e os seus princípios começaram a surgir:  A Pré História.  Este primeiro momento da evolução humana é chamada de pré por que dela não possuímos, praticamente, nenhum registro possível de ser considerado historiográfico. Nada possuímos que tenha sido, de alguma forma, contado por alguém.  Todo o conhecimento que temos deste período é dedutivo e a maior parte obtida pelo apoio de outras ciências, como a Paleontologia, quer dizer "o estudo da vida antiga". Mas, mesmo não tendo muito em que apoiar as nossas proposições, uma coisa a lógica nos aponta como certo. Foi neste período que o homem, começando a falar e se relacionar, descobriu o componente básico da Informática: A informação

Agrupando-se em bandos, inicialmente os homens tentavam se comunicar (informar e receber informação) pelos olhos e pelos gestos (5). No primeiro passo pelo olhar, buscando no brilho dos olhos e na formas faciais do entorno deste, o que poderia estar pensando. Algumas informações, como a vontade de acasalamento, eram fácies de serem entendidas, pois, para tal, o “instinto” provido pela natureza assim fazia compreender. Entretanto outras informações tornavam-se muito difícil de serem compreendidas ou muito demoradas na sua percepção.


Não possuindo nenhum relato de caso real, temos por sobra imaginar um e com ele formar uma ficção.  Para isso e para melhor expor estes primeiros passos na História da Informação, vamos “convencionar” um personagem baseado na criação do Maurício de Sousa: 
O primata Pitaco

Estava o Pitaco na entrada da gruta onde se reunia uma parte de seu grupo humano. Olhando para o campo abaixo, percebeu ele que se aproximava da gruta uma matilha de tigres-dente-de-sabre. De imediato sentiu que deveria informar aos seus companheiros que eles seriam atacados por animais carnívoros. Entra pela gruta e com um olhar de pavor tentou alertas os de dentro. Alguns estavam de costa e não viram o olhar dele. Outros, olhando para ele, se perguntaram: “O que será que ele que informar?  Que esta com dor-de-barriga?  Uma pedra caiu na cabeça dele?”. Enquanto alguns tentam entender a informação, e outros nem dela se aperceberam, os tigres entraram na caverna.  Nosso Pitaco, que não era burro, caiu fora com aqueles que entenderam.  O resto...  Viraram um fausto banquete de tigres-dente-de-sabre (e sem precisar de “palitos”, com tamanhos dentes para fora da boca facilmente “limpáveis”). 

 Nosso amigo Pitaco ficou muito M"LNÛ (6) da vida. Havia tentado informar, mais muito poucos receberam a sua informação. Tinha que melhorar a sua comunicação.



Dias depois a cena se repete.  Lá vem os tigres e gruta esta cheia de gente. Ele entra, mas agora além do olhar de pavor, ele pula, bate os braços, faz gestos de mão como se fossem garras. Agora um numero maior de pessoas entendem a informação e caem fora com ele. Outros, entretanto, ficaram ainda pensando: será que ele foi mordido por uma abelha? Pisou em um espinho? Outros nem viram a informação.


Mais uma vez o nosso amigo fica M"LNÛ . Algo precisa melhorar na forma de mandar informações.



Mais algum tempo depois e a mesma coisa.   Lá vem os tigres e pessoal dentro da caverna...   Nosso Pitaco corre para dentro da caverna.  Mas desta vez, além do olhar de pavor e pular como um endoidecido, ele passa forçar o ar pela sua garganta para emitir um "miau" parecido com o do tigre. Desta vez a informação teve maior percepção. Quem estava distraído teve a sua atenção despertada, pois era como se o tigre já estivesse na caverna. Olhando foi possível ao grupo entender, no olhar de pavor, a dimensão do risco e os saltos e gesto informava que era preciso fazer alguma coisa: Fugir. Todos cairam fora e os tigres chegaram e ficaram "abobalhados" - "como é que eles ficaram sabendo que a gente queria jantar?".

Depois disso, passado o susto, o nosso amigo Pitaco, se reuniu com seus companheiros. Agora, adotando o que aprenderam a informar com olhar, gesto e sons, tentam trocar informações sobre o acontecido. Apesar de toda a dificuldade que isso representa, chegam a um consenso e convencionam que, toda vez que alguém entrar pela caverna, com olhar de pavor, gesticulando e miando, estará informando que os tigre-dente-sabre vão atacar.  Estava criado o primeiro sistema de informações. 

Isto já foi um grande avanço para o nosso amigo Pitaco e seus companheiros, mas ainda não era tudo.  Dependendo do tamanho do grupo na caverna e do numero de homens fortes disponíveis, sendo o ataque feito por um a três tigres, ao invés de fugirem eles poderiam contra-atacar com pedras e outras "armas" (berro... quem sabe?) e, os tigres, em vez de jantarem, seriam sumariamente jantados.  Assim, no sistema de informação TC2 (Tigre Chegando - Versão 2 - copyright © by Pitaco Co. - 50.000 AC) deveria ser incluído o dado quantidade _ possivelmente a primeira análise de sistema feita na história.   Isto acertado, sobrou ao analista de sistema Pitaco  descobrir o "como" (7) . 

Pensando em como resolver esta evolução de sistema, o Pitaco deu de cara com os seus dedos. Pensou, analisou e concluiu... Estava resolvido o problema.  Ao entrar gritando, com olhar de pavor, no gesto seria adicionado mostrar com os dedos quantos eram os tigres. Se fosse um levantava um dedo, se três levantava três dedos, se mais de cinco levantava os dedos da outra mão para completar o numero a ser informado.  Feliz da vida o analista de sistema Pitaco evolui o sistema. Agora, além de informações de situação (os tigres estão atacando) o sistema tinha também informações quânticas  (quantos tigres estão atacando).  


Mas o sistema desses nossos amigos possuía um bug (8) _ o primeiro da história da informática.  Se fossem mais de dez tigres?   Cada pessoa só dispunha de dez dedos!  Bem, ele poderia usar duas pessoas, como por exemplo: se fosse treze tigres, uma levantaria os dez dedos e outra os outros três.    Mas seria neste instante que ocorreria o bug.  A percepção da informação poderia ser falha e muitos ficariam na dúvida: "São dez ou três?". Nesta situação os menos precavidos se armavam para contra-atacar três e... viravam jantar de tigre.  A solução viria logo em seguida, mas falaremos dela logo após a nova evolução que vamos comentar abaixo.  



Os bandos de primatas mudavam constantemente de lugar atrás de alimentos. Ao deixar o grupo do Pitaco a caverna onde eles eram constantemente atacados pelos tigres, mais uma vez "sobrou" para ele...  Todo o grupo achou que deveria haver uma forma de informar a outros grupos que viessem a ocupar a caverna, que ela estava sujeita ao ataque dos tigres e o como os homem poderiam contra-atacar.  No primeiro momento a solução foi correr ate onde estavam todos os outros grupos e informar. Quando ele começou a fazer isso, o cansaço e o risco apontou uma outra solução. Ele já havia aprendido a fazer uns risco que davam a idéia de bicho e de gente.  Com esta habilidade, ele, estando com cada grupo, convencionou os seus componentes que, por todas as cavernas que ele passasse e que fosse perigosa por ataque, ele deixaria um desenho na parede.  Se o risco fosse de ataque por poucos animais, ele desenharia um animal e homens contra-atacando. Se fossem muitos, vários animais. Acertado isso, voltou a caverna e deixou algo como o desenho abaixo em uma de suas paredes.  Pronto! Estava criado o segundo sistema de informação _ o de informação ideológica, e a primeira interface e a primeiras mídia (9) da história – a interface caverna e a mídia rocha de parede. 




Mas ficou uma questão! Como o primeiro sistema iria informar quantos eram os tigres quando estes fossem mais de dez?   Bem... A questão estava em criar uma forma de como saber se quando duas pessoas levantassem os dedos estariam ou não dando duas informações diferentes, ou se os dois (ou mais, se mais de vinte) estavam montando a mesma informação.  Uma possível "gambiarra" ou "bacalhau" (10) foi adotada.  Para informar mais de dez tigres, treze, por exemplo, seriam usadas três pessoas, uma levantaria os dez dedos, a outras o outro três e para dizer que era uma mesma informação (neste caso um mesmo dado), o terceiro, abrindo o braço colocaria uma das suas mãos no ombro do com dez dedos e a outra mão sobre o que estava com os três dedos, dando assim o sentido de continuidade da expressão, ou somatório dos valores.  Para fazer isso, a posição tomada pelo homem do meio tendia a ser, de braços aberto, em forma de cruz. Seria por causa disso que o símbolo  "mais" é uma pequena cruz?